Há imagens que carregam um lugar dentro delas. Em Travessia, a Bahia aparece em seus símbolos mais íntimos: na pele, na natureza, no gesto e na fé que atravessa gerações. Em sua mão, um cacho de cocos. Sobre o corpo, o Anel Sagrado Coração de Jesus, em ouro 18K. Elementos que pertencem a uma mesma paisagem, uma paisagem onde o sagrado e o cotidiano convivem com naturalidade. O coração guarda a devoção. Os cocos evocam a terra, o litoral, a abundância e a força da natureza. A mão segura aquilo que permanece.
A fotografia de Marcela Figueiredo encontra beleza justamente nessa proximidade entre o espiritual e o terreno. Entre aquilo que herdamos e aquilo que escolhemos carregar. Travessia fala da fé como companhia. Daquilo que nos atravessa sem pedir passagem e que, ao longo do caminho, se transforma em memória, proteção e pertencimento. Porque atravessar também é levar consigo aquilo que nos sustenta. E há símbolos que fazem isso silenciosamente: permanecem junto ao corpo, acompanham os caminhos e nos lembram de onde viemos, no que acreditamos e aquilo que escolhemos guardar.
Uma imagem sobre fé, pertencimento e a beleza de carregar consigo aquilo que tem significado.

